
Fundado há mais de quarenta anos, o Culto foi uma organização criada nas sombras. Ninguém fala dela em voz alta. Aqueles que fizeram parte e estão vivos até hoje carregam marcas de um conflito que ameaçava ruir com o equilíbrio do mundo que conhecemos hoje. Todos optaram por enterrar tudo que viveram, não por covardia — mas por sobrevivência.Dizem que foi formada pra conter um mal que não cabe em palavras. Algo antigo. Algo que nunca deveria ter existido. Uma alma que não pertence a este mundo… mas que não foi aceita nem no céu e no inferno, e então foi condenada a vagar eternamente por ele.O que eles selaram não era um homem. Não era uma alma. Era fome. Era vazio. Um horror tão profundo que precisou ser enterrado fora do tempo, longe da memória. Esquecido à força.Mas o esquecimento é frágil.
E há coisas que não deviam ser invocadas nem de brincadeira.Tem gente mexendo onde não devia. Rindo do que devia temer.
E se ele acordar… não vai haver volta. E o culto terá de retornar. Sem suas marcas, mas também sem suas experiências.

Eles nunca foram embora de verdade, só aprenderam a esperar no lugar onde ninguém olha, onde ninguém escuta direito, onde tudo que é velho demais pra ser lembrado vira parte da poeira e do hábito. O tempo passou por cima deles como passa por cima de tudo, mas não levou embora, só cobriu. E o que foi coberto, cedo ou tarde, se move de novo. Porque tem coisa que não precisa de nome pra existir, só precisa de gente, só precisa de presença, só precisa de uma luz no esquecimento. O esquecimento é uma porta aberta, e toda porta aberta leva a algum lugar.Eles andam por baixo das palavras, pelas frestas das histórias mal contadas, nas cantigas já esquecidas, pelos ecos de medos herdados que a gente nem sabe explicar direito. Às vezes vêm no formato de visagem, às vezes na forma de susto, às vezes numa sensação que não tem explicação e que ninguém diz em voz alta. Foram fortes, reflexo de nós, um dia, tão fortes que seguraram o que não devia tocar o mundo, algo seco, oco, pesado demais pra ter alma, e por isso mesmo perigoso — algo que queria atravessar o tecido fino que separa o que é nosso do que não deveria ser. Aquela linha nunca foi feita de pedra, nem de muro, nem de ciência. Aquela linha é feita de crença. De pensamento. De medo e respeito. Quando a gente esquece, ela se firma. Quando a gente teme, ela começa a ceder.E esqueceram.Aos poucos, no correr dos anos, deixaram de contar, de temer, de lembrar. E aquilo que estava contido adormeceu. Mas a qualquer ponto poderia ganhar espaço, se espalhando nos cantos mais fundos, se esticando pelas rachaduras. E quem sabe ameaçaria a voltar, não com pressa, não com barulho, mas com certeza. Os sinais já estão por aí, nos detalhes que ninguém presta atenção, nos padrões que não fazem mais sentido, no tempo que escorre estranho, nas palavras que voltam do nada. Alguns já perceberam. Outros ainda acham que é coincidência.Mas não é coincidência.Tem coisa que está se contorcendo pra se arrastar de volta pro outro lado, devagar, como quem cheira o ar depois de muito tempo trancado. E quando chegar o momento certo, quando tudo estiver suficientemente frágil, quando o limiar entre os mundos for só um sopro, eles não vão mais precisar esperar. Vão atravessar. Vão se mostrar. E o mundo vai ter que lembrar.Nem tudo que volta vem com rosto.
Mas tudo que volta quer ser sentido.
E eles já estão entre nós.

Não, não dá pra clicar. Porém, temos alguns plots e arquétipos que podem ser muito convenientes pra nós e tem uma relação importante com o desenvolver do enredo principal e algumas temáticas. Ficou interessado e quer ser um desses plots? Só chamar a gente na DM da base e nós te passamos uma lista pra escolher. Mas sem spoilers, tá?

